Autoconhecimento
O que você tem adiado esperando o medo passar para dar o primeiro passo?
“O objetivo não é buscar 100% de certeza para só então começar, mas aprender a caminhar com a dúvida.”
O que você tem adiado, esperando o medo passar, para então tomar uma decisão ou dar um primeiro passo?
A vida adulta vem com um gostinho agridoce
A vida adulta e funcional vem com um gostinho agridoce: a autonomia e a responsabilidade de tomar decisões. Pode ser a escolha de um emprego, um curso, a decisão de permanecer ou não dentro de uma relação, ou o quanto vai ser importante se impor em determinada situação.
As decisões fazem parte da nossa vida, mas vêm acompanhadas do gosto amargo da dúvida e da incerteza (que talvez sejam dos sentimentos mais difíceis de entrar em contato). Elas nos colocam diante do fato de que não temos controle sobre o que acontece, mas que, ainda assim, uma decisão (ou a falta dela) nos aproxima ou nos afasta da vida que queremos construir.
A angústia não está na falta de clareza
Muitas vezes, chegam pessoas nos atendimentos em dúvida, em crise e angustiadas, dizendo que não sabem o que querem diante de uma situação específica. O que percebemos, no entanto, é que a angústia não está necessariamente na falta de clareza, mas em ter que lidar com o desconforto de não ter garantias, com a possibilidade de errar e com o medo de que as coisas não saiam exatamente como o esperado.
Na maioria dos casos, o problema não é não saber o que se quer. As pessoas sabem, ou pelo menos têm uma pista, mas querem evitar a todo custo o desconforto da incerteza. E aí a decisão fica travada: cria-se a ilusão de que o primeiro passo só pode ser dado quando a angústia sumir e o medo de errar desaparecer completamente.
Não escolher nada também é uma escolha
Nesse processo de esperar o desconforto ir embora, não se escolhe nada. Só que não escolher nada também é uma escolha. Ao adiar esse movimento, em vez de nos aproximarmos de experiências, relações e caminhos que importam, escolhemos apenas evitar o desconforto. E, ao fazer isso, acabamos evitando a nossa própria vida.
Trocar as perguntas
Aprender a caminhar com a dúvida e com a incerteza exige uma mudança de postura. Exige trocar perguntas como:
- “Como eu faço para deixar de sentir medo?”
- “Como eu faço para não errar?”
- “Como eu faço para ter certeza absoluta?”
Por uma reflexão muito mais atenta e compassiva: o que é realmente importante para mim, mesmo que o medo, a incerteza e a dúvida estejam presentes aqui?
Esses sentimentos desconfortáveis nada mais são do que marcas da nossa humanidade. Eles nos lembram que não controlamos todos os resultados, mas podemos escolher os passos que damos.
A autonomia e a liberdade vêm justamente de fazer uma escolha mesmo quando a dúvida caminha ao nosso lado.
Para levar com você
O objetivo não é buscar 100% de certeza para só então começar, mas aprender a caminhar com a dúvida, respeitando o nosso ritmo e os nossos limites. Afinal, nós não somos máquinas programadas para processar dados de forma infalível entre ‘certo’ ou ‘errado’. Estamos inseridos em contextos vivos, onde o melhor que podemos fazer é nos aproximar de escolhas que façam sentido (e não da perfeição).
Talvez a pergunta inicial para dar esse respiro e se mover seja: qual é o primeiro passo que faz sentido para quem você quer ser hoje, em vez de buscar a certeza do passo perfeito?